México está pronto para atacar os EUA onde mais dói

O México é hoje um dos principais importadores de milho dos EUA. Mas o senador mexicano Armando Ríos Piter, líder da comissão parlamentar sobre relações exteriores, vai apresentar um projeto de lei para que o México pare de importar o produto norteamericano e passe a comprar milho do Brasil e Argentina. O milho está presente na maioria dos pratos mexicanos, especialmente em tortilhas e tacos.

Esse é um dos primeiros sinais de possíveis ações concretas do México em resposta às ameaças do presidente Donald Trump contra o país latinoamericano, que inclui a construção de um muro na divida entre as duas nações e a deportação de mexicanos ilegais que vivem nos EUA.

“É uma boa maneira de dizer-lhes que essa relação hostil tem consequências, espero que mudem”, disse Piter durante uma manifestação contra Trump na Cidade do México, no último domingo (12).

Os EUA são os maiores exportadores de milho do mundo. Mas as exportações para o México foram impulsionadas a partir de 1995, um ano após ser firmado o TLCAN (Tratado de Livre Comércio entre EUA, México e Canadá). Até então as exportações norteamericanas de milho beiravam os US$ 400 milhões. Dez anos depois saltaram para US$ 2,4 bilhões.

Especialistas afirmam que caso o projeto de lei seja aprovado pelo senado mexicano os agricultores do meio oeste dos EUA serão extremamente prejudicados.

“Se realmente existir uma guerra comercial em que o México começa a comprar do Brasil, veremos que isso afetará o mercado de milho e destroçará o restante da economia agrícola”, diz Darin Newsom, analista sênior da DTN, uma empresa de gestão agrícola.

O projeto de lei de Ríos Piter é mais uma mostra da vontade do México em responder às ameaças de Trump, que quer fazer os mexicanos pagarem pelo muro na fronteira e ameaça aumentar os impostos sobre as importações mexicanas de 20% para 35%.

E Ríos Piter não está só. O ministro mexicano da economia Ildefonso Guajardo disse em janeiro que o México responderá imediatamente a qualquer medida tarifária de Trump.

“Está bem claro que teremos que estar preparados para poder neutralizar imediatamente o impacto que de uma medida dessa natureza”, disse Guajardo.

Fonte: CÑN Espanhol
Traduzido e adaptado pela equipe Tio Minhoca